As microvarizes ou “vasinhos”, também chamadas de telangiectasias, são pequenos vasos visíveis superficiais, de coloração azul a vermelha, em geral arroxeadas. Elas se desenvolvem com maior freqüência nas pernas, podendo também estar presentes no tronco e na face. As veias anormais de calibre mais grosso são chamadas de varizes, com coloração esverdeada, alongadas e tortuosas.

O tratamento das veias mais calibrosas deve ser realizado através de cirurgia, com a retirada das mesmas através de microincisões. As microvarizes são tratadas através de escleroterapia química (popularmente conhecida como aplicação), onde um esclerosante é injetado dentro do microvaso, e a escleroterapia térmica, a laser. Se a patologia venosa for tratada, as varizes devem ser operadas previamente ao início da escleroterapia, pois se acredita que as microvarizes apresentem conexões íntimas e diretas com as veias dilatadas subjacentes, das quais são tributárias diretas. Portanto, o tratamento das microvarizes sem o tratamento das varizes de maior calibre é ineficaz, ocorrendo o retorno rápido das microvarizes ou o não desaparecimento destas.

Tipos de escleroterapia

Escleroterapia a Laser

O acrônimo LASER significa ampliação da luz pela emissão estimulada de radiação (Light Amplification by the Stimulated Emission of Radiation). Atualmente o laser mais utilizado é o Nd-Yag que age através da emissão de um feixe de fóton monocromático, coerente e colimado e de um comprimento de onda específico. O feixe é sincronizado com o comprimento de onda do tecido a ser tratado, no caso das microvarizes o tecido é a oxiemoglobina e o comprimento de onda utilizado é de 1060 nm. Resumidamente, o efeito do laser é a termocoagulação do sangue dentro dos pequenos vasos, destruindo-os.

Existem sistemas de laser específicos e inespecíficos no tratamento das vênulas e telangiectasias. Portanto não é qualquer tipo de laser que pode ser utilizado para o tratamento de vasos. Os inespecíficos podem atingir e lesar os tecidos ao redor dos vasos, levando a um efeito fraco nos vasos e indesejável nos tecidos circunjacentes.

O tratamento com laser apresenta aspectos positivos quando comparado ao tratamento convencional com agentes químicos e agulha. A pigmentação secundária à deposição de hemossiderina (extravasamento de sangue) é menos freqüente com este método. O novelo telangiectásico (aparecimento de vasinhos muito finos no local das microvarizes tratadas) tem incidência menor. E as reações alérgicas, muito raras, porém descritas com a técnica escleroterápica, não acontecem com o laser.

As indicações atuais para o laser são a presença de vasos muito finos, onde a agulha não é capaz de ser utilizada. Outra indicação é quando o paciente apresenta fobia de agulha. Apesar de haver um mito popular de que o laser é indolor, há dor durante o tratamento, que é variável de acordo com o limiar de cada paciente.

Imediatamente após a lesão térmica do vaso, ocorre uma reação inflamatória com vermelhidão local ou escurecimento do vaso, que desaparece em torno de duas semanas. O resultado final será evidenciado após a quarta semana. Portanto, recomenda-se um intervalo mínimo de um mês entre as sessões. O mesmo vaso pode precisar de mais de uma sessão para o total desaparecimento.

Recomenda-se evitar exposição solar não somente após o tratamento, mas também um mês antes, para se evitar a ocorrência de manchas indesejáveis. O tratamento com laser ainda é de alto custo comparado com os demais métodos, mas muito promissor, pois existem estudos que investigam a melhora desta tecnologia.

Escleroterapia Convencional

A escleroterapia clássica é realizada há 150 anos. A técnica consiste na introdução (injeção) de uma substância muito concentrada dentro da luz (interior) do vaso, acarretando trombose e posterior fibrose do mesmo. O mecanismo de ação das diferentes substâncias esclerosantes é o dano endotelial (parede interna do vaso), que acaba em endofibrose (cicatrização com fechamento do vaso). A injeção é realizada com microagulha, para que se alcance o interior de vasos muito pequenos, com alta precisão e menor dor. Este método é utilizado para as microvarizes, pois nos vasos de maior calibre há maior chance de complicações estéticas, como manchas, ou até clínicas, como trombose.

Imediatamente quando da injeção do escleroterápico, ocorre a substituição do sangue pelo líquido transparente, o que momentaneamente é evidenciado pelo desaparecimento total do microvaso. No entanto, quando o escleroterápico continua na circulação e atinge vasos maiores, ocorre o imediato preenchimento das microvarizes com sangue, que juntamente com o processo inflamatório iniciado torna as mais aparentes, com cor mais intensa. Após a cessação do processo inflamatório, atinge-se o resultado do procedimento: o desaparecimento completo ou o clareamento das microvarizes.

O processo inflamatório desencadeado pelo tratamento é esperado, apresenta duração em torno de cinco dias e pode ter diferentes intensidades, de acordo com cada paciente. Portanto, o resultado final do tratamento não aparece imediatamente, podendo ser evidenciado após três a cinco semanas. Por isso é recomendado um intervalo mínimo de duas semanas entre as sessões.

Para se evitar complicações não é recomendado aplicar grandes quantidades de esclerosantes de uma só vez. Portanto o tratamento é feito em sessões onde é aplicado o volume adequado para um tratamento seguro e eficaz. É esperada uma melhora de até 50% das microvarizes nos locais tratados, sendo necessárias sessões subseqüentes para o desaparecimento gradual dos vasos. O tratamento com aplicações que prometem o desaparecimento de todos os vasos de uma só vez não é indicado, pois aumenta o risco de complicações e coloca o método em descrença, já que o efeito é diretamente dependente da reação de dano local, ou seja varia de indivíduo para indivíduo.

Como cuidados pós-tratamento recomenda-se evitar exposição solar enquanto não houver desaparecimento dos sinais da aplicação. A luz solar além de fixar a pigmentação pela hemossiderina, estimula a produção de melanina.

Conclusão

Ambas as técnicas são realizadas no consultório e o retorno às atividades profissionais é imediato. A escolha da técnica deve ser discutida e realizada em conjunto com o médico especialista para que o efeito seja eficaz e as complicações evitadas. A associação entre as duas técnicas pode ser realizada para se obter um efeito estético adequado. E o entendimento da eficácia e limitações dos diferentes métodos está diretamente relacionado à satisfação do paciente.

É importante ressaltar que o tratamento não previne a evolução da doença venosa. Portanto, o acompanhamento regular com um médico especialista para a associação de medidas terapêuticas e profiláticas é essencial.


Dra Cristina Ribeiro Riguetti Pinto

Médica do Serviço de Cirurgia Vascular e Endovascular
Responsável pelo Setor de Cirurgia Endovascular Hospital Universitário Pedro Ernesto/UERJ
Médica do Serviço Cirurgia Vascular Hospital Municipal Souza Aguiar
Médica Responsável pelo Serviço de Cirurgia Endovascular Hospital Balbino