Cidades Inteligentes

O principal desafio das grandes metrópoles é alcançar a eficiência no uso de recursos, mobilidade e serviços a fim de melhorar a qualidade de vida dos habitantes. As soluções do futuro têm na tecnologia o seu elemento fundamental e é nesse cenário que se encontra o conceito de Cidade Eficiente ou Cidade Inteligente. A ideia é um sistema onde energia, transporte, infraestrutura, sustentabilidade e informação funcionem em harmonia.

Nesse sentido, diversas cidades do mundo já colocam o conceito em prática. De acordo, com a empresa de pesquisas e análises IHS Technology estima que o número de cidades inteligentes pelo mundo deve quadruplicar nos próximos dez anos. Um exemplo prático desta iniciativa é Songdo, na Coreia do Sul, que tem a multinacional Cisco como mentora digital e fornecedora de tecnologia.

A cidade, construída do zero e considerada pelos seus desenvolvedores a mais inteligente do mundo, tem sistemas de água, coleta de resíduos, eletricidade e estradas com sensores eletrônicos para controlar tudo de forma sustentável, além de 40% de sua área como reserva verde. Os edifícios têm controles de clima automáticos e acesso informatizado para permitir que o ambiente responda de acordo com as ações e necessidades de seus moradores.

Aqui no Brasil, experiências pontuais de cidades inteligentes também acontecem. Curitiba, por exemplo, ainda nos anos 1980, foi considerada uma cidade-modelo por desenvolver projetos que acabam sendo exportados para outras cidades brasileiras. A qualidade de seu transporte público faz com que seja utilizado por cerca de 70% da população.

O Rio de Janeiro também tem conquistado espaço. Recentemente, foi escolhida uma das sete comunidades mais inteligentes do mundo pelo Intelligent Community Fórum (ICF), entidade internacional que avaliou cerca de 300 cidades em todo o planeta. Já em 2013, foi eleita Cidade Inteligente do Ano durante o Smart City Expo World Congress, evento que busca estimular e discutir práticas para as cidades do futuro.

O esforço para sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas foram alguns dos motivos para o reconhecimento, assim como projetos implantados nos últimos anos. O Centro de Operações Rio (COR) e a Central 1746, por exemplo, deixam clara a presença da tecnologia, na cidade.
Pela Central, os cidadãos podem reportar ocorrências e solicitar à prefeitura mais de mil serviços municipais por meio de aplicativo, além dos tradicionais telefone e site. Os dados permitem a criação de estratégias para melhor gestão do espaço, assim como funciona no COR.

No Centro de Operações, um telão de 80 metros quadrados mostra informações em tempo real de concessionárias e órgãos públicos, além das imagens de câmeras instaladas pela cidade. Em conjunto, há uma parceria com o aplicativo Waze, que permite o compartilhamento de informações sobre o trânsito pelos próprios usuários. O sistema permite antecipar e solucionar problemas como acidentes, congestionamentos e chuvas fortes.

Especialmente em períodos de chuvas, outra complicação das grandes metrópoles torna-se evidente. É o acúmulo de lixo, natural em sociedades que compram e descartam mercadorias com voracidade cada vez maior. Nessas ocasiões, o poder público é convocado a encontrar soluções viáveis para evitar enchentes e impedir, principalmente, a transformação de rios e encostas em depósitos ilegais de resíduos e em palcos de tragédias.

Entre as soluções modelo para o problema, destaca-se o caso de Barcelona, utilizado também em mais 50 cidades europeias. A cidade tem instalado um sistema de “bocas de lixo”: os cidadãos depositam os sacos por escotilhas que são conectadas a um gigantesco sistema de tubulação, enterrado a pelo menos cinco metros da superfície. O sistema evita o uso de latas e coletas periódicas através de caminhões. O destino final é uma usina de triagem, afastada da área urbana. Resíduos limpos são reciclados e o lixo orgânico vira combustível para mover turbinas que produzem eletricidade.

Iniciativas com relação ao lixo também acontecem em São Paulo. Desde 2003, há na Zona Leste da capital uma grande usina que produz energia a partir do gás metano, gerado pela decomposição do lixo. É a usina termelétrica Biogás, uma das primeiras usinas de biogás do Brasil. Esse tipo de instalação ainda é pouco utilizado no país, mas mostra um crescimento.

Exemplos como esses demonstram como a tecnologia, unida à sustentabilidade, pode provocar uma revolução nas formas de lidar com os desafios do espaço urbano. O conceito de cidades inteligentes revela que elas podem – e devem – ser continuamente melhoradas em benefício de seus habitantes. Também podem ser econômicas quanto ao uso racional de seus recursos naturais e, ainda assim, e talvez por isso mesmo, ser um nicho de negócios para novas tecnologias.